Hoje súcubo me visitou
Sorriu-me com olhinhos lascivos,
Tomou-me em seus braços fêmeos
e, sem me acordar, transportou-me
ao quintal da casa de minha avó
Pôs-me em meio aos gerânios,
por entre espinhos, pétalas
e o perfume das rosas vermelhas,
enquanto sobre os telhados espreguiçava o Sol
Brincamos de esconde-esconde,
de pega-pega, tempo-passa,
bate na bunda e corre esconder,
E, rindo e rindo, rolamos na relva úmida
Formiguinhas tornaram-se cabras
besouros viraram bois a pastar
o jardim, imensa pradaria; e a vida,
de dormente e tímida, ei-la vivaz e túmida
Súcubo fez-se Marília, bela e gentil pastora,
e a mim, fez Dirceu, num idílio encantado,
livre da cela de seu genuíno penar,
injusta expiação da culpa de milhões
E me fez reviver o menino de 1976
quase nu, em vestes íntimas, molhadas
pelo orvalho suave e vigoroso da madrugada,
num gozo de inocente liberto de seus grilhões.
(Luís Antônio Albiero, em Americana, SP, aos 2 de março de 2014)
[Desafio brasileiro da Poesia. Fui desafiado pelo saudoso Reinaldo Luciano (Lux Rei), pelo Facebook. Cada um teve um prazo de 24h para postar uma poesia em sua própria linha do tempo, caso contrário deveria presentear quem o desafiou com um livro de poesias. Cada indicado deveria indicar mais 5 amigos para cumprir o desafio!]
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Contato: laalbiero@yahoo.com.br


