É, amigo.
Faz tempo que não encontras pela frente
Lábios sorridentes, finos ou carnudos
Nus ou tingidos de carmim
Batons escarlates
Não mais
Nem grandes, nem pequenos lábios
Mãos macias já não te acariciam
Línguas lambilentas já não te envolverm
Profundamente
Não mais as aventuras em grutas licorinas
Ocultadas por matagais a desbravar
Ou expostas em sedutoras clareiras
Não mais a avidez das bocas insaciáveis
Não mais o calor, a energia
A troca por indução, pele contra pele
Pele sobre pele
Pele mais pele
Não mais
Depois de longa e dura vida, firme
Intensa, de tanta atividade
Prazerosa, é verdade
A aposentadoria modorrenta
É, amigo.
O tempo passou
O tempo se foi
E cá nos deixou
Esquecidos e, ao que parece,
Sem planos de voltar
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(Luís Antônio Albiero, de Capivari, SP, em Jacareí, SP, aos 23 de março de 2023)


