Mac chega, Mic o vê pela janela e corre até a porta. Ela abre, sorrindo, e ele diz, a meio sussurro:
— Oi, Mic.
— Oi, Mac. Entre!
— O Conde taí?
— Ainda está. Mas pode entrar. Ele não liga. Ainda mais agora, nessa situação.
— Tá muito mal, ele?
Ela responde, ainda com voz de velório:
— Tá baqueado. Treme, chora, soluça o tempo todo. Sofrendo feito um condenado.
— Coitado. Mas passa. Logo ele estará de volta.
— É o que tenho dito para ele. Esses anos não serão nada. O tempo voa.
— Duro será suportar os três últimos meses…
— Nem diga. Principalmente para mim. Não sei se vou aguentar.
— Os últimos momentos são como quando a gente está voltando para casa, querendo ir ao banheiro. Entra, corre, mas às vezes...
— Verdade. Enfim, a gente se acostuma. Teremos esses anos todos só para nós. O futuro a Deus pertence.
— No fundo, no fundo, não muda muita coisa.
— É, pois é. Não mesmo.
Do outro cômodo, o Conde grita, com voz chorosa:
— Michele!!!
— Ele está me chamando, Mac.
— Vá lá, vá lá. Eu espero.
— Tem alguém aí, Michele? Com quem você está conversando?
— Meu maquiador, mozão.
— Ah, bom. Pensei que fosse com um homem.
Mic, voltando-se baixinho para Mac:
— Volto já. Vou lá, ver o que quer o Conde Nado. Que saco!
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Falo sobre o livro nesta crônica: “Entrevista sobre o meu livro”.
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