Eu de frente com Gabi, cara a cara.
— Podemos começar? — ela me pergunta.
— Bora! — respondo, ansioso.
Gabi sacode a cabeleira loura, mexe e remexe seus óculos enormes para melhor enxergar as anotações e, por cima deles, lança em minha direção seu par de esmeraldas fuzilantes.
Demorados segundos depois, abre enfim seus lábios grandiosos e deixa à mostra toda alvura de sua dentição, ornamentada por batom escarlate. Dispara, então, o vozeirão:
— O que é que nunca pode faltar em sua casa?
Eu, num átimo, sem pestanejar:
— Papel higiênico!
Ela ri sua risada mais gostosa.
É a pura verdade. Morro de medo.
(Reflexões da vida privada)
(Luís Antônio Albiero, em Jacareí, SP, aos 17 de setembro de 2022)


