Dir-se-ia que Dirce
Ia à missa, talvez ao supermercado
Caminhando a passos marcados
Rebolando-se, como a bailar
Ao baile é que não ia, pois inda era dia
Decerto ia à feira com esse ar de freira
A um passo de abandonar o casto
Ia lançar o laço, oferecer uma pista
Atirar a isca, pois seria fácil
Ia pra machucar, queria ver sangrar
Queria frustrar
Ia com sua beleza sádica
De quem nos apaixona e quando percebe
Que estamos trêmulos e ardemos em febre
Faz-nos embriagar e ressonar
Para, sorrateiramente, no espelho
Deixar um bilhete, escrito a batom
Em letras miúdas, como em falsete:
"Adeus, meu velho!"
(Luís Antônio Albiero, em Capivari, SP, nos anos 80 do século XX).


